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Agenda positiva para indústria da moda pós COVID-19

No mês de abril realizamos a semana: O Futuro da Moda – Uma agenda positiva pós coronavírus – uma série de lives com especialistas brasileiros, portugueses e italianos que discutiram novas perspectivas para nosso setor e ferramentas práticas para contornar a crise causada pela pandemia.

O impacto de tudo isso na economia e na sociedade já não é novidade para ninguém. A indústria da moda, assim como outros setores da economia, entrou numa grande crise desde março 2020 e pautas que há anos vinham sendo apontadas como avanços para um futuro promissor, agora se tornam urgentes e necessárias para a renovação da indústria.

E quais os caminhos para melhor lidar com essa situação?

A partir do conhecimento compartilhado nas lives, entendemos que agora é a hora de buscar estratégias e planos que melhor se encaixam para o seu negócio a fim de reduzir custos e otimizar vendas.

É necessário estar antenado nas rápidas mudanças que estão acontecendo, estudar novas maneiras de realizar os processos de criação, produção e gestão e, principalmente, INOVAR! Mas como fazer isso?

A seguir resumimos pra você os principais insights de cada live, lembrando que todas elas estão disponíveis para você assistir no nosso canal do YouTube – O Futuro da Moda.

1) Situação atual e perspectivas futuras da indústria da moda Italiana

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Como uma das mais importantes indústrias da moda no mundo está lidando com a pandemia? Enrico Cietta, da Diomedea e Bruna Rigato, da Fashion For Future, nos contaram que a situação é conturbada na Itália, mas o momento é de cooperação.

As indústrias estão cooperando entre elas e com a sociedade, produzindo os materiais que estão em falta, como máscaras e álcool em gel, assim como grandes marcas estão doando para os que mais necessitam, à exemplo de outros países, como o Brasil.

Enfatizaram também que os aprendizados fruto da união entre as indústrias trouxeram inovação e renovação, uma vez que puderam entender novas formas de organização e processos produtivos.

Junto a isso, ações do governo para incentivar a digitalização e a indústria nacional aumentaram, assim como as normas de segurança que ficaram mais rígidas e obrigatórias para a volta do funcionamento.

Já se tratando de negócios, Enrico enfatizou:

foco das empresas agora deve ser em reduzir custos e não em vender mais!

MAS COMO FAZER ISSO? Investir em digitalização, tanto no departamento de gestão quanto de produção, capacitar funcionários para novas atividades que surgirão e investir na questão das normas sanitárias, que, provavelmente, logo se tornarão medidas globais para que as empresas possam voltar a trabalhar.

Esse período fez com que as pessoas desacelerassem, com um raio comercial restrito, com uma rotina mais lenta fisicamente, o que refletirá na redução da velocidade da moda também.

2) Situação atual e perspectivas futuras da indústria da moda Portuguesa

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Com um pequeno mercado interno e em exposição direta à concorrência com a China, o setor têxtil português conseguiu se manter competitivo no mercado internacional e atualmente é um case referência no mundo quando falamos em qualidade, inovação e sustentabilidade.

Seus produtos têm um alto valor agregado e sua indústria também é reconhecida por ser rápida e flexível, características que colocaram Portugal em destaque na corrida pelo atendimento às demandas da pandemia.

Empresários e governo se uniram para buscar formas de minimizar os impactos da pandemia na indústria de vestuário e têxteis.

A principal estratégia usada para reduzir custos foi a medida concedida pelo governo chamada Lay Off (suspensão temporária do contrato de trabalho), permitindo às empresas reduzirem a carga horária parcial ou total.

Seu uso deve ser estratégico a fim de realizar uma boa gestão e é o que César Araújo – Presidente da ANIVEC e CEO da Calvelex – e Miguel Pedrosa – Vice Presidente da ATP e Diretor da Pedrosa & Rodrigues – estão fazendo, mantendo apenas 40% da produção ativa, atendendo seus clientes, a fim de alimentar suas vendas online, mesmo que de forma reduzida.

Outra medida que vale ressaltar é a produção de máscaras de proteção e EPIs, uma forma de ajudar no combate contra o coronavírus, bem como manter a produção da indústria ativa.

Apesar da maioria da matéria-prima desses produtos virem da China, o setor junto à laboratórios como o CITEVE (Centro Tecnológico das Indústrias Têxtil e Vestuário de Portugal) uniram-se para atender os requisitos que exigem os produtos hospitalares.

Para o futuro, perceberam que será necessário a adaptação das coleções em relação às estações! Uma alternativa observada é a criação de pequenas coleções, que demandarão das indústrias um lead time menor.

Esse momento é de unirmos forças. O Brasil e Portugal podem ser grandes parceiros de excelência um para o outro

3) A digitalização no processo de desenvolvimento de coleções

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“Quem quiser viver o novo mundo, que já chegou, precisa se adaptar!”

Foi assim que nossa conversa se iniciou com o João Risoleo, CEO e fundador da U.Mode e especialista em inovações disruptivas por meio da tecnologia.

Risoleo iniciou a live dando uma grande dica para todos os profissionais de moda, mostrando sistemas digitais que ajudam no processo de organização e controle de atividades para o home office, assim como formas de gerenciar as entregas-chaves e os seus deadlines.

O processo de digitalização já não é mais uma escolha, é uma necessidade. Algo que as empresas terão que trazer para o seu negócio se quiserem continuar competitivas em meio a crise.

Um exemplo disso é o uso de apresentações digitais das coleções e a digitalização de processos de criação a partir da utilização de softwares como o U.Mode e o Etiqueta Certa, sistemas específicos para otimização e digitalização de processos na indústria de confecção.

Esse tipo de investimento, que num primeiro momento pode parecer um custo, gera uma economia prática na medida em que contribui para a otimização do tempo, que pode ser utilizado para outras atividades mais importantes.

A digitalização dos processos diminui os custos invisíveis, aqueles custos que não se contabiliza de uma forma direta em planilha, mas está diretamente relacionado ao tempo e energia que profissionais, gestores e empresários gastam controlando detalhes como fichas técnicas, por exemplo.

Para João, o futuro é digital e precisamos conciliar a tecnologia com a criação para otimizar as vendas e poder crescer, integrando a produção e criação. Quanto mais fluida a comunicação entre fornecedores, estilistas, engenheiros e modelistas, melhor será a entrega do produto!

4) Sustentabilidade: o novo normal?

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Ana Tavares, fundadora da We Sustain e uma das principais especialistas em Portugal quando se fala em sustentabilidade na moda, e Thaísa Peralta, Denim Head na Covolan, indústria do segmento de Denim, mostraram em suas apresentações como trabalhar a sustentabilidade dentro de grandes indústrias.

Contaram para gente que para construir uma base sólida na empresa alicerçada na sustentabilidade, deve-se permear todas as áreas de produção e gestão. A sustentabilidade é transversal e precisa também estar relacionada à história do produto e à comunicação da empresa.

As indústrias têxteis portuguesas estão cada vez mais aliando a sustentabilidade à inovação, fazendo disso seu diferencial competitivo nas cadeias mais competitivas do mundo.

Mas, para chegar nesse nível, o primeiro passo é estruturar as empresas e buscar pelas certificações, criando na empresa uma base fundamentada na sustentabilidade.

Outro fator importante é analisar e monitorar os indicadores, anotar todos os dados de cada processo da produção, tingimento e acabamento, para então criar objetivos assertivos baseados em números. Uma vez que se usa os certificados como ferramenta no dia-a-dia, perde-se menos tempo.

Se aliar aos programas sustentáveis também é outra maneira de ampliar suas ações para diminuir o impacto negativo no meio ambiente, assim, medidas como uso de químicos menos poluentes, tratamento de efluentes e uso de biomassa, começam a ser implementadas com maior facilidade.

Utilizar os ideais da sustentabilidade como filosofia da própria empresa cria um DNA socioambiental da marca, como a Covolan fez. Isso influenciará as coleções e o relacionamento com cliente, assim como a integração dos departamentos, fomentando a colaboração e a comunicação transparente.

As especialistas acreditam que com as mudanças de rotina em virtude da quarentena, a moda também mudará, uma vez que reflete as emoções das pessoas, surgindo novos hábitos nos consumidores, que irão repensar seus valores e estarão mais próximos de produtos realmente sustentáveis.

É tempo de reinventar os modelos de negócios, e com isso, a sustentabilidade surge como uma possibilidade de inovação!

5) Comportamento do consumidor pós crise – perspectiva histórica e projeção pós coronavírus

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Encerramos a semana com as presenças ilustres de Carlos Ferreirinha, especialista em modelo de negócios e mercado de luxo, fundador da MCF Consultoria, e do Professor João Braga, historiador premiado especializado na história da indumentária

“Para planejar um futuro melhor, precisamos compreender o passado e entender como ele se aplica no presente.

João Braga então introduziu a live explicando alguns acontecimentos históricos importantes que revolucionaram a maneira como a sociedade se comportou, ilustrando momentos semelhantes ao que estamos passando como a Gripe Espanhola e a II Guerra Mundial, grandes crises do século XX, que impactaram na evolução da moda ao longo do século.

Analisando esses acontecimentos, ele nos mostrou 2 possibilidades pós coronavírus:

1. vinda de uma euforia, com a grande alegria de viver e, assim, a volta de grandes vendas e os exageros do luxo, como aconteceu em 1920, pós gripe espanhola e a re-glamorizarão pós 2a guerra.

2.Ou, um período de recessão, que valorizará o slow fashion, processos
artesanais e peças duradouras, como vimos depois da 1a guerra e pós guerra do Vietnã.

Ele ainda aponta que, historicamente falando, os exageros sempre foram sinônimos de decadência e que O Novo há de vir! Isso pode ser analisado nas revoluções que ocorreram após a queda do império romano, dos monarcas franceses e dos czares russos, todos com um exagero no luxo.

Talvez seja isso que esteja acontecendo agora, após essa decadência, uma nova era surgirá e será definida pelo nosso Zeitgeist, o ar de um tempo. Ele poderá vir por meio da tecnologia, do artesanato, da inclusão social e/ou da sustentabilidade.

Ferreirinha complementa com uma análise mais mercadológica, de que esse momento é uma ruptura de tudo que já aconteceu antes, porque diferentemente de guerras, dessa vez não há um lado que ganhe.

Assim, todos pararam no mesmo tempo, mais de 5 bilhões de pessoas estão em isolamento neste dia (17/04/2020), e os mercados não estão se compensando, ou seja, todo mundo está perdendo junto.

Quando as entidades públicas definirem o fim da quarentena, será necessário reconstruir no Brasil uma base econômica que já estava desestruturada.

“Dessa forma, assim como perdemos juntos, devemos ganhar juntos!

Reconstruir o setor do vestuário de forma colaborativa, buscar equilíbrio entre os pontos da cadeia, negociando e fazendo parcerias com todos do setor, de forma que o diálogo prevaleça.

Ele acredita que o consumo se dará de forma híbrida, equilibrando as forças de consumo com certa responsabilidade social maior do que havia antes da pandemia. Isso se dará pela depressão econômica que enfrentaremos, junto com o inevitável empobrecimento.

A energia do desespero coletivo deve ser usada para realizar a reflexão: Quem serei eu no final dessa travessia? E não mais se perguntar: como farei para voltar para onde eu estava?

Carlos Ferreirinha

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